É que nem sempre você é o vilão…

Às vezes você só não quer mesmo. E está tudo bem, desde que você não mantenha alguém na sua vida por conveniência.

Os vilões dos filmes e séries são pessoas que, por terem marcas tão profundas na vida, acabam optando por serem más com os outros personagens, mocinhos, que, muitas vezes nem entendem os motivos pelos quais essas maldades estão sendo cometidas. Mas o bem da verdade, é que na vida real, em determinadas situações, não existem mocinhos e vilões. Existem situações que exigem certa resiliência – e, principalmente, força de vontade para mudar. Aprendi, ao longo da vida, que nas relações humanas alguém sempre vai sair mais ferido em algumas relações. O que não se pode fazer, é manter a ferida no outro aberta, regando dia a dia, com rasgos de indiferença, de orgulho e egoísmo.

Uma coisa que nós, seres humanos, precisamos entender é: nenhum outro ser da nossa espécie é perfeito. Longe disso. Nós erramos muito. Erramos pra caralho. Nós incomodamos o outro, em certas ocasiões, porque somos muito diferentes e é essa a graça da vida. Mais engraçado ainda é que, costumeiramente, erramos tentando fazer a coisa certa, e essa é a síntese da nossa bela imperfeição humana.

Nem sempre você é o vilão por não querer algo, alguém ou alguma coisa. Você é livre para fazer suas escolhas e tomar suas decisões. Mas, você se torna vilão ao brincar com o sentimento do outro. É vilão ao não reconhecer que você errou muito também, e que muitas das coisas ruins que já aconteceram entre vocês, numa relação, é um reflexo daquilo que você mesmo plantou. Ninguém é perfeito. O outro também erra e pode ter errado muito. Mas quando se ama, se gosta de verdade, aprende-se, com boa vontade, a conviver com os defeitos, aceitá-los, mas também a buscar ajudar a mudá-los. E quando alguém não estiver disposto a isso, é hora de ir, definitivamente. Já há uma ferida, então, ficar, sem essa disposição, só ajuda a machucar ainda mais.

Eu, particularmente, entendo que se o defeito do outro fala mais alto que todas as qualidades, é hora de arrumar todas as suas malas emocionais e ir embora definitivamente da vida desse alguém. “Mas eu gosto de tudo! Nos damos super bem, somos parceiros incríveis, porém alguns defeitos me bloqueiam em relação a qualquer coisa além”. Então, sinto dizer, mas você não gosta da pessoa, você gosta do que, dentro do que você quer, ela pode te proporcionar.

E não falo aqui de dinheiro ou status! Mas de boas conversas, de bons passeios, de companheirismo, de cuidado. E sim, é difícil de abrir mão disso, quando você tem alguém na sua vida disposto a dar. Mas se você não consegue retribuir na mesma medida ou intensidade, se retire! Vai fazer bem pra você e pro outro.

Meu amigo, vá embora! Se as qualidades não gritam mais alto que a imperfeição X ou Y, tenha certeza que, num planeta com 8 bilhões de pessoas, você encontrará alguém que vai suprir todas as coisas que você gosta e, de quebra, não trará na bagagem os defeitos que te bloqueiam. Ao mesmo tempo, a outra pessoa, de fato, consegue se libertar e voar para longe da situação que a machuca em todos os sentidos emocionais. Ter na vida uma pessoa que diz que te adora, mas que não toma nenhuma atitude além, e não se esforça em nada, é uma das piores dores que o ser humano pode sentir. Ser a indecisão de alguém já é ruim, ser o meio, mas não o fim, é pior ainda.

Se manter numa situação como essa, te faz, sim, um vilão na vida da outra pessoa. A história era pra ser feliz, mesmo com dificuldades, mas não é porque sua falta de empatia e seu egoísmo emocional, te permite prender o outro numa situação extremamente dolorida, por não conseguir desapegar e perder, mesmo sem querer, de fato. É cômodo. É conveniente, pra você. Pro outro, é dor.

Afinal, “por que vou deixar ir embora alguém que é meu melhor parceiro e amigo? Que tem a melhor das conversas? Que uma noite no cinema é mais gostosa? Que as viagens são incríveis?”. Porque é fácil pra você ter nas horas que te convém. Quando o calo aperta, não importa a hora, você pega seu carro e vai embora, deixando o outro, mais uma vez, tendo que juntar pedacinhos de si próprio que já se estilhaçaram centenas de vezes. Isso é egoísmo. Isso é ser vilão.

Eu paro e penso comigo mesmo: “se eu não presto pro que é difícil pra você, eu não tenho que prestar pro que é fácil também, pra o que te ajuda e te dá sustentação. Se meus defeitos te trazem mais bloqueios, se falam mais alto que qualquer qualidade, me bloqueie em todo o restante também”.

É o correto, emocionalmente falando, e é o mais justo, com o outro também.

Livre-se e livre a outra pessoa da amarra sentimental que você adora manter segurando com falsas promessas de que “vai deixar rolar”, sem se permitir a nada. A vida é vai ou racha, meu caro. É simples, também! Se te desagrada, some. Se não te faz feliz, fuja. Se é bom pra você, fique, mas por inteiro. Nem laranja a gente chupa pela metade.

Entenda que você nem sempre é o vilão. Às vezes você só não quer mesmo. E está tudo bem, desde que você não mantenha alguém na sua vida por conveniência.

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Por. Lucas Nascimento

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