Quando o ser humano se torna descartável

Nos últimos anos, as políticas sustentáveis têm feito as pessoas optarem por comprar produtos que podem ser reutilizados e também a usar aquilo que elas já têm no lugar de comprar produtos novos. Com isso, elas contribuem para combater a escassez de água, os desmatamentos desenfreados e, consequentemente, os animais que vivem nessa flora prejudicada devido ao consumismo exagerado do ser humano. 

As políticas sustentáveis ensinaram a cuidar e a preservar a natureza, e então o homem esqueceu das relações que ele possui com os outros seres humanos; é assim que a cada dia que passa, as pessoas ficam cada vez mais descartáveis. 


Quem nunca viveu um relacionamento “descartável”? 

Aquela ficadinha de balada, ou então a pessoa te usou e depois achou que não precisava mais e jogou fora. Foi naquele encontro que não vingou… Enfim, são vários os exemplos que comprovam que as pessoas dia a dia ficam mais insuficientes. Não se importam umas com as outras, ou simplesmente acham que uma noite é suficiente para se satisfazerem e esquecer que, alguém que pode ser especial, passou por sua vida naquele momento.

Outras no outro dia sequer o nome das parceiras(os) lembram. Cadê nossa humanidade? Somos humanos, temos sentimentos, mas a lei de descartar nos tornou frios, sem amor. E onde isso nos leva? A um poço profundo de mágoas, tristezas e um imenso vazio que não pode ser preenchido com nada que é físico, nada que o dinheiro pode comprar. O amor, ele está em falta no mercado sustentável das relações humanas. 

As relações se tornaram frias, calculistas. As pessoas jogam umas com as outras como se fossem consoles do mais atual modelo de PlayStation ou X-box. Um clique e “acho que te amo”, outro clique e um namoro acabado, dai basta excluir do facebook. Redes sociais ultrapassam as telas computadorizadas e aparelhos high-tech. Hoje em dia, não importa se o coração bate, se as mãos soam, o sorriso sincero é o WhatsApp quem ganha. 

Amar não é mais simplicidade, ele custa caro, e quem paga o preço? A solidão futura, carente, perdida em um tempo consumido pelo rápido, cômodo e estereotipado “eu sou feliz sozinho” ou do “antes só que mal acompanhado”. E como dizer o que são as relações humanas? Como dizer o que ainda é amor, se ele existe…

Sim, aquele amor que tudo sofre, tudo crê e tudo espera está em extinção, poucos ainda vivem essa realidade que era para aumentar com o tempo, mas que foi tirada de nós aos poucos. Tirando também nossos sentimentos e nos tornando seres sem aquilo que nos torna diferente dos outros animais: nossa capacidade de sentir, de amar, pensar. O Homo Sapiens Sapiens regrediu na cadeia evolutiva.

Às pessoas hoje são um poço de dores, mas que têm uma alma de sentimentos, medos, inseguranças e erros como outro ser humano qualquer. 

Ok, pedir para não criar expectativas? Isso é o mesmo que dizer ao olhar um céu nublado: “não chova!”, pode ser que não chova, mas sempre haverá um risco e é exatamente sob ele que vivemos, infelizmente. 

Que possamos pedir desculpas quando estivermos errados e que saibamos relevar os pequenos erros para que a felicidade venha de forma desenfreada, daquelas onde sorrimos até ao respirar! Somos responsáveis por àquilo que cativamos! Cative!

Por. Lucas Nascimento e Aline Castro
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