Entre Bonecas e Sexo – Parte 2

Por. Rafaella Rizzo
compartilheisso@outlook.com


“Fazendeiros ou políticos poderosos da região iam até minha casa, diziam para meu pai que eu ia para o município vizinho trabalhar nas eleições ou em outras funções e que voltaria no dia seguinte. Mas no caminho eles paravam no matagal e começavam os abusos.


Tudo acontecia da mesma forma sempre: íamos para o banco de trás do carro, me faziam deitar no peito deles, iam fazendo carinho no cabelo, no rosto e descendo. Passando a mão em mim. Não tinha peito, nem pelo. Pegavam a minha mão e faziam eu segurar o pênis, masturbar, chupar. Tinha que deixar eles me tocarem e beijar o corpo todo. Isso rolava durante a noite toda”. Algumas lágrimas escorrem do seu rosto. Do meu também. É muito difícil ouvir ela contar tudo isso, ao escrever esse trecho da reportagem também me sinto bastante incomodada.

Curiosamente ela só deixou de ser virgem aos 12 anos. “Na cabeça deles eu era muito criança, então não havia penetração porque eles não queriam me estuprar. Mas eles já haviam estuprado minha mente”.

Essa vida acabou levando ela a se tornar viciada em álcool, cigarro e drogas. Os próprios clientes ensinaram ela a gostar de tudo isso, o que, em muitas vezes, era seu pagamento. Outra forma de comprar o serviço era com iogurte “Não tinha Danone na minha cidade, só na capital, São Luís. E como eles eram homens de negócio, que viajavam muito, sempre traziam pra mim. Era como pagavam pelo serviço”.

Com 9 anos, Edileuza era prostituta. Com 10 já fumava e bebia ao ponto de ficar bêbada. O pai sabia de tudo, deixava ela ir mesmo com a desculpa esfarrapada. A família era pobre e o dinheiro do trabalho dela ajudava nas despesas. Ela e os irmãos só ganhavam roupa nova uma vez por ano, no Natal. O pai comprava alguns metros de tecido, para fazer roupas para eles. O tecido com xadrez azul se tornava um conjunto de camisa e shorts para os meninos. O pano branco com bolinhas vermelhas era a blusinha e saia das meninas. Edileuza queria ser diferente. Um dia pediu para a costureira fazer um vestidinho em vez das peças típicas. Voltou para casa mais feliz do que de costume.

Perdeu a primeira parte? Clique aqui e leia!

Continua na próxima semana!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.