Crise hídrica piora em São Paulo


O ano de 2015 chegou, e a crise da água no estado de São Paulo segue mais grave do que nunca. O Sistema Cantareira, que atende mais de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo, atualmente tem apenas 6.5% de sua capacidade já contando com a segunda cota do volume morto – que, segundo especialistas, não é seguro para consumo. 

O Sistema Alto Tietê, que por sua vez atende mais de 3 milhões de pessoas, também se encontra em situação preocupante: desde meados de dezembro está sendo usada a primeira cota de seu volume morto, e o nível atual é de 11.3%.

As chuvas fortes já conhecidas do mês de Janeiro, não estão conseguido o volume necessário para reverter a grave crise que resulta primariamente de uma má gestão pública dos nossos recursos hídricos. O risco da água acabar para os habitantes da maior metrópole brasileira em pouco tempo continua presente e se aproxima com velocidade.

As obras já anunciadas pelo governo estadual, em parceria com o federal, devem demorar dois anos para gerar resultados concretos, não ficando prontas para o período de estiagem que começa em abril. E elas não atacam a raiz do problema – apenas terceirizam, trazendo para a Grande São Paulo água de outras bacias que também sofrem problemas de gestão. Pouco (ou nada) se fala de recuperação de mananciais, medidas firmes para reduzir o consumo e desperdício especialmente dos grandes consumidores, e mudanças estruturais no modelo de gestão de recursos hídricos, que estão entre as demandas da Aliança pela Água da qual o grupo de ativistas Greenpeace faz parte.

Além disso, a conexão entre a atual crise e o desmatamento da Amazônia é um assunto que nenhum nível de governo está discutindo a sério. Estudos indicam que cerca de metade da água das chuvas que caem nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste vêm da Floresta Amazônica, o que mostra a relação direta entre a derrubada da floresta e secas pelo país (que devem atingir 55% dos municípios este ano). Por essa e outras razões a proposta de lei pelo Desmatamento Zero é tão importante. 

Por. Lucas Nascimento, com informações de Greenpeace Brasil**. 

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