#REARVIEW | A metamorfose de “Purpose” é digna de novela

Em clima de folhetim, “Purpose”, de Justin Bieber, mostra a transformação do garoto Drew no homem Bieber; além disso, mostra que, talvez, não seja um pouco tarde para pedir “perdão” e ser honesto.

A metamorfose de "Purpose" é digna de novela
(Foto: divulgação.)

Por onde passa, Justin Bieber captura a atenção de todos. É algo incontestável. No entanto, desde o fim da Era “Believe”, álbum lançado em 2012, o cantor vem desconstruindo a imagem imaculada construída pelo público e pela mídia, que se encarregara de manter essa figura do jovem, semelhante a um monumento em uma praça pública. Isso refletiu diretamente em seu quarto e último trabalho, “Purpose”, e tem refletido na Purpose World Tour, onde ele tem feito do palco o seu confessionário para demonstrar sua humanidade através de discursos sinceros. É assim que a turnê deve desembarcar no Brasil esta semana.    

Para viabilizar seu propósito, Bieber recebeu a ajuda do DJ Skrillex, produtor da maioria das faixas presentes no álbum, e de uma equipe de compositores talentosíssimos. Dentre eles, podemos citar: o próprio Skillex, nas canções “I’ll Show You”, “Where Are Ü Now” (no duo Jack Ü, formado com o DJ Diplo) e “Children”, Benny Blanco (dono dos maiores sucessos dos últimos dez anos, incluso “Hot N’ Cold”, “California Gurls”, “Diamonds”, “Moves Like Jagger” e “Tik Tok”), em “Love Yourself”, juntamente com Ed Sheeran, além de Julia Michaels, autora de “Sorry” e de outros sucessos, como “Love Myself” (Hailee Steinfeld), “Good for You” (Selena Gomez), “Close” (Nick Jonas) e “All In My Head (Flex)” (Fifth Harmony). Logo, não precisaria de muito para Justin atingir seu objetivo e aumentar a expectativa dos fãs, cuja saudade gritava, implorando por um material original do artista em jejum musical.

Em julho de 2015, para a felicidade das beliebers, o single de retorno foi anunciado para agosto: “What Do You Mean?”. Aquele não era um comeback qualquer, senão uma breve visita do canadense ao confessionário, somente por curiosidade. Na época, a faixa proporcionou um feito inédito em sua carreira: o primeiro número 1 no gráfico semanal da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos. 

“What Do You Mean?”, vídeo de Justin Bieber, possui mais de 1,5 bilhão de views na VEVO.   ‘O que podemos dizer?’. O interprete de “Baby” não nos deu tempo para respondermos essa pergunta. Por conta da recepção calorosa, dois meses depois, lançou “Sorry”, através de um videoclipe dance, que fez parte de um projeto chamado Purpose: The Movement. Em pouco tempo, o vídeo viralizou. Hoje, seu pedido de perdão possui quase 2,5 bilhões de visualizações na plataforma de vídeos VEVO.

Vídeo de “Sorry” faz parte do projeto “Purpose: The Movement”.

Ainda em outubro, o álbum entrou em pré-venda, contendo uma surpresa: uma versão remixada de seu carro-chefe, “What Do You Mean?”, com os vocais da cantora Ariana Grande, só para quem adquirisse previamente a cópia digital no iTunes.   No mês seguinte, o mundo conheceu e abraçou “Purpose”. Sem querer, o mundo segurou o peso das palavras jamais ditas, não pelo astro pop ou pelo garoto com aparência de bad boy, mas por Justin Drew Bieber, o menino cheio de sonhos, cuja diversão era cantar e tocar seu violão. E é num diálogo entre Justin Drew, o garoto inocente, e Justin Bieber, o pecador, que “Mark My Words” inicia a tracklist.  

Nada é capaz de descrever tão bem “I’ll Show You” como seu clipe. Drew tenta fazer Bieber enxergar que, apesar das mudanças externas, da vontade do jovem de sumir, de regressar ao passado etc., seu interior continua um lugar lindo, puro e bucólico. A faixa se desdobra enquanto Bieber passeia pelo local, dispensa devaneios, assumindo postura crítica perante sua dura realidade de fama e as consequências dela. A percorrer diversos penhascos e olhar novos horizontes, Drew também faz Bieber enxergar seu real tamanho diante da imensidão do nosso planeta a fim de que recobre sua humildade. E Drew consegue.  

Em “I’ll Show You”, relata crítica a fama e recobra a humildade. Em “Love Yourself”, num ato de rebeldia, Justin Bieber pisa na bola, dá PT e atira a merda no ventilador. O problema é que ele não é compreendido, então na sinestesia dos ouvintes, a merda cheirou a perfume, o que os tem feito comprar a canção sincerona. Esse equívoco deu a ela o título de queridinha do público. Para piorar, muitos amantes, românticos, enviam essa música para seus companheiros. Ao encaminhá-la, eles cometem uma gafe enorme. Pudera: com a inserção no arranjo de uma guitarra no estilo Shawn Mendes, em “Illuminate”, e um trompete à la “Cheerleader”, do OMI, a ideia de serenata contemporânea ganha forma. Alguns conspiradores inferem uma dedicatória a Selena Gomez, ex-namorada do cantor canadense, afinal, “recordar é viver”.

Ao contrário do que muitos acreditam, “Love Yourself” não é uma música romântica.

Nesse clima de novela das nove, seguimos a tracklist do Purpose, a nos depararmos com “Company”, “No Pressure” e “No Sense”, nas quais Justin Drew Bieber – recuperado, após seus “eu” do passado e do presente firmarem um tratado de paz – inicia desabafos sobre suas relações afetivas ou não, demonstra profundos arrependimentos, para, quem sabe, poder resgatar pessoas com quem viveu momentos memoráveis… Tudo sem êxito. Pronto, é o suficiente para reforçar as teorias conspiratórias de alguns fãs do casal Jelena (união dos nomes do artista e de Selena).

O novo Justin não larga o taco. O Justin amadurecido procura analisar a situação, sem criar fantasias adolescentes para encobrir a realidade dos fatos, e mede cada passo que dará, por conseguinte. “The Feeling”, gravada com a cantora HALSEY, deflagra uma última conversa sua com o lado Bieber, terminando-a em “Life Is Worth Living”, onde o menininho Drew, triste, pede ao gêmeo mau que o leve para casa. Os dois entram no carro do ídolo teen. No meio desse trajeto, o bad boy percebe o quanto a vida vale a pena. Quando descobre isso, Justin também descobre que o Drew era um personagem criado por sua mente para finalizar seu processo natural de amadurecimento.

Em “Where Are Ü Now?”, ele não sente somente falta do garoto, senão do amor, do carinho e das lembranças da infância, então entende: é desnecessário largar o passado para viver o presente; é necessário viver no presente, não no passado.

Quase no fim do tracklist, no penúltimo capítulo, “Children” fala exatamente disso. O álbum chega ao fim na faixa-título “Purpose”. No último capítulo, Justin se regenera e reencarna Justin Bieber. Não reencarna a imagem famigerada de Justin Bieber; ele reassume o Justin Bieber humano, sincero, verdadeiro, sensível, engajador e adulto. Acima de tudo, com um propósito. Por isso, ele canta à vida e regozija-se por tudo que ela o proporcionou e irá proporcionar. (Carpe Diem, amigos!)

Capa de “Purpose”, quarto álbum de Justin Bieber (foto: reprodução.)

 Em síntese, “Purpose” é um álbum com cara de novela das nove de sucesso, repleta de drama, romance, autoconhecimento e mistério. Tem pontos altos e baixos. Ambos não afetam a qualidade. O conjunto é gostoso de ouvir.

Indicação: Caso tenha gostado da matéria, há cinco canções adicionais e uma versão acústica na edição deluxe: “Been You”, “Get Used To It”, “We Are feat. Nas”, “Trust”, “All In It” e “What Do You Mean?”.

*Purpose encontra-se disponível em todas as plataformas digitais e em lojas físicas. Adquira!


O primeiro show da “Purpose World Tour” é hoje no Rio de Janeiro . Ainda tem ingresso e você pode comprar no site da Tickets For Fun. 

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