Querer “algo a mais” hoje em dia é ato de ousadia

Esse mundinho pantanoso dos solteiros e da pegação tem suas peculiaridades. Há quem pense que não, mas sim, há diferenças nos cardápios humanos espalhados por aí. Com uma infinidade de aplicativos que promovem de sexo fácil a, talvez, um relacionamento mais sério, será que as pessoas se comportam de maneira igual em todos eles? A resposta é: não!

No Hornet, por exemplo, os gays por lá devem acreditar que “vale tudo por uma foda”. Muitos músculos exibidos, fotos de academia, frases de efeito instantâneo, e pouco, mas muito pouco conteúdo pra apresentar.

Os usuários do Hornet, na maioria dos casos, são guiados por sua “vontade”, se é que me entendem. Não precisa mais que 10 minutos de conversa, fotos desbloqueadas e um encontro é marcado em casa ou no motel mais próximo.

Acabou-se, pelo menos por lá, aquela coisa do “conhecer melhor”. As pessoas sequer sabem com quem estão conversando e já pulam pra parte do “quero gozar”.

Sabe o que é mais frustrante nisso tudo? Você até sai, beija, transa, e se der tempo, bate um papo com alguém, mas é uma coisa tão superficial que não sacia de fato a vontade, mas só apenas o desejo.

É tão bizarro, que se você não se controlar, amanhã estará na cama com outro, porque o desejo no momento passou, mas o vazio interior não. Então, a cada dia, você passa a precisar de um date diferente pra suprir uma necessidade que, se você investisse em relacionamentos mais sérios, não teria.

Já no Tinder, as pessoas parecem prezar “pelos bons costumes”. Fotos de viagens internacionais, bons empregos, perfil que “chama a atenção”, papo cabeça, e pouco fast-foda.

Eu acredito que seja por isso que o Tinder nunca vingou entre os gays. Temos nossos aplicativos próprios, como o próprio Hornet ou o Grindr, que não requer a espera da reciprocidade no “match”, e que muitas vezes o corpo bonito ganha no tapa do papo cabeça.

Quando leio os perfis antes de dar um sim ou não no Tinder, fico imaginando se não estaria dando um fora no que talvez seria o “amor da minha vida”. É tanta gente que parece ser tão interessante que fica complicado até de imaginar os assuntos que poderemos ter.

Calma lá, existe muita superficialidade também. Se a pessoa dá um “match” com você por engano, ela não vai responder NUNCA as suas mensagens. Acredito que seja um dos maiores tabus que jamais serão respondidos: por que dar match no aplicativo e nunca falar ou responder as mensagens das pessoas?

Por enquanto fica a questão, mas entenda o seguinte: o post não quer problematizar quem usa o Hornet ou Tinder, eu mesmo uso os dois, senão jamais teria argumentos para escrever sobre isso. Tem sim pessoas que querem um relacionamento bom e duradouro no Hornet, como há quem quer apenas sexo no Tinder.

A diferença está em como a gente se submete à esses tipos de influências. Se isso tem feito bem ou mal. Se nós estamos nos tornando robôs prontos pra falar o que se espera ou se temos a oportunidade, e a coragem, de sair dos padrões já preestabelecidos.

Ousar é, muita das vezes, a chave para se ter sucesso em tudo que se deseja, e no quesito relacionamento também. Embora que nos sujeitamos a ser mais um “prato” num cardápio humano, o que faz de nós interessantes o suficiente para que “saiam do básico” com a gente?

Tá super difícil de encontrar o amor, mas talvez a gente nem esteja procurando, porque damos atenção as distrações. Sair da superficialidade é o segredo. Permitir-se conhecer alguém. Mas, conhecer mesmo: os objetivos, sonhos, ideais, os pratos favoritos, a paixão pela profissão, os amigos, a terrível intolerância à lactose e a cantora favorita e não apenas se é ativo ou passivo.

Já passou da hora de reaprender que as pessoas são mais que uma foto bonita num aplicativo. Que elas são seres humanos também, que sonham, vivem e, embora não digam, querem sim o tão quase inalcançável “algo a mais”. E desculpa dizer, querer isso hoje em dia é ato de ousadia.

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