Eu me iludo, sim: A gente sente falta

A gente sente falta – tenta fingir que não – mas sente. A gente sente falta do primeiro “Oi”, das primeiras palavras, do carinho dos primeiros encontros, das horas e horas atrás da tela do celular falando sobre tudo ou sobre nada – apenas falando.
A gente sente falta, mas somos bobos demais em admitir ou ir lá, puxar assunto, voltar a ser o que era antes. A gente quer tocar a vida, arrumamos outra pessoa pra trocar essas mensagens que ficam entaladas na ponta dos dedos. A gente abre a conversa no WhatsApp e fica olhando o rosto, o sorriso – aquele sorriso que um dia te pertenceu.
A gente sente falta, a gente quer falar mas o orgulho é maior. Talvez a palavra não seja orgulho, mas medo. Medo de tentar e se decepcionar outra vez. Medo de investir mais cartas e no final ter o castelo destruído por qualquer brisa leve que bater.
A gente sente falta. A gente quer. A gente pensa, repensa. A gente escreve a mensagem: “Oi, como você está? Que saudade”. A gente escreve, mas a gente apaga. Não queremos passar por desesperados, não queremos sair por baixo. “Se a pessoa quisesse falar comigo, ela puxava assunto”, pensamos. E é isso. A gente sente falta, mas a gente não procura.
A gente sente falta, mas por mais que eu tentasse eu sei que eu não iria conseguir ser frio. Eu me apego, me apaixono, mando texto, ligo, se eu sentir saudades dou um jeito de ver. Prender sentimentos pra quê? Sofrer todos nós vamos. A gente sente falta, mas a gente sabe que ser frio, tratar as pessoas mal e sumir não vai adiantar de nada. A gente só vai sentir ainda mais falta.
O engraçado é que talvez ambos sintam falta. E sentem. Mas, infelizmente, o orgulho, o egocentrismo, o medo de ser trouxa fala mais alto e o que resta é a apenas a saudade. Sentimentos mortos pelo desinteresse da modernidade. Mas sabe qualé o bem da verdade? Se joga, se não der leve isso como lição, só não seja cuzão.
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