Eu me iludo, sim: Deixar ir embora é necessário

É difícil gostar de alguém e ter que deixá-la. Para nós pessoas naturalmente mais apegadas é ainda mais. A gente se apega aos bons momentos, às boas lembranças e nos anulamos cada vez que tentamos manter relacionamentos ruins por bons motivos.

Quando eu estava com meu ex, o Wallace, eu o amava muito, muito mesmo, amava aquele garoto do jeito mais puro que você pode imaginar. Eu acreditava que não poderia viver sem ele, acreditava que, desde que o conheci, se ele saísse da minha vida, ela não seria nunca mais a mesma, acreditava que estaria incompleto. Me enganei.

Eu lutei pelo Wallace. Toda vez que a gente discutia e ele tentava terminar comigo por motivos fúteis, eu mostrava pra ele que esse não era o melhor caminho a seguir, que éramos incríveis juntos, como um time. E prendia ele a mim, fazia ele ficar, justamente porque eu não sabia abrir mão.

Foi um relacionamento de altos e baixos. Hora estávamos muito bem, e segundos depois estávamos discutindo feito gato e cachorro a ponto de tentar terminar o namoro. E isso aconteceu muitas e muitas vezes, até que veio a traição, os desrespeitos e a falta de consideração e então sim, me livrei do “bom relacionamento” que já estava sendo tóxico.

Desde então eu entendi que abrir mão das pessoas é realmente necessário. Talvez você se pergunte se não estou sendo radical ou se não dou valor aos meus novos relacionamentos. Mas dou sim, o mesmo tanto que dei para o meu namoro com o Wallace, porém com uma diferença: eu não tento mais fazer ninguém ficar.

Quando estou interessado ou gostando de alguém, eu faço questão de que essa pessoa fique sabendo disso: eu demonstro com carinho, presentes, minha presença, mando mensagem perguntando como foi o dia, como está, se quer conversar sobre alguma coisa. Faço tudo que um bom crush ou namorado deveria fazer, porém, ao menor sinal de que estou incomodando, de que não estou sendo correspondido, eu deixo pra lá. Sabe por que? Porque não vale a pena! Não vale a pena se desgastar com alguém que não está nem ligando para os seus sentimentos. Não vale a pena se dedicar para uma pessoa que na primeira oportunidade vai te meter o pé na bunda.

Quando o Wallace chegava dizendo que queria terminar o namoro comigo, eu desconversava, insistia, implorava pelo amor dele e provava que eu era tudo o que ele precisava, como se ele já não soubesse perfeitamente disso. E eu me frustrei, porque no final ele devolveu todo o meu empenho com uma bela duma apunhalada nas costas.

Hoje eu entendo que não preciso insistir pelo amor de ninguém. Amor é gratuito, dado de boa vontade, por carinho, respeito. Não adianta insistir ou cobrar pelo amor de alguém que não tem isso para me oferecer.

Eu aprendi, afinal, que pessoas são como passarinhos: eles entram nas gaiolas de nossas vidas que estão com as portinholas abertas, e se ele quiser ir, que vá, voe, se for realmente meu, ele volta. Se não for, que faça um belo voo trilhando sua vida, sem mágoas e ressentimentos.

Abrir mão é bom, faz bem pra saúde e eu não gosto, mas aprendi que é necessário para evitar maiores decepções.

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