Por um Brasil com mais Projota e menos Biel

Nos últimos dias o que mais tem se visto na mídia nacional, são denúncias de assédio sexual, atropelamento, machismo e muito mais partindo do funkeiro Gabriel Araújo Marins Rodrigues, mais conhecido pelo nome artístico de ‘Biel’. Na tarde desta última quinta (09), o cantor divulgou um vídeo com pedido de desculpa à jornalista assediada, mas o vídeo não convenceu a internet.

Mas, parando para pensar, nós somos aquilo que ouvimos, também, na maioria das vezes. Mesmo sendo extremamente errada a situação, fãs do funkeiro ainda tem a coragem de defendê-lo. “Quem não quer ser sarrada pelo Biel?”, gritam nas redes sociais.

Não tenho nada contra o funk, quem lê esse site diariamente vê o carinho que sinto pela Anitta, Ludmilla, que vieram do funk, ou quem vê meu snapchat enquanto estou na balada, sabe bem que me divirto muito ouvindo o ritmo musical que é sim, uma das maiores demonstrações culturais do nosso Brasil e Biel é uma exceção, uma exceção ruim nesse meio.

Biel errou, errou muito, ficou feio, falando e tratando as mulheres como um objeto de consumo que podem ser jogadas fora após “serem quebradas ao meio”. Isso não se faz, mas uma pessoa acostumada a tratar as pessoas assim sempre, não muda de uma hora para outra, por isso o vídeo divulgado por ele não convence.

Nesta semana, o rapper Projota (30) está lançando seu novo DVD: “Foco, Força e Fé” e trocamos algumas palavras com ele sobre algumas coisas que lhe inspiram. Ele contou a historia de algumas de suas músicas e sim, podemos perceber a nítida diferença entre o funkeiro e o rapper.

“Eu tenho que cuidar das ‘minhas meninas'”, diz Projota. (Foto: Gabriel Quintão, Vírgula UOL)

Projota cresceu em uma família humilde na zona norte de São Paulo, perdeu a mãe ainda criança e cresceu, como ele mesmo diz “se virando para se dar bem na vida”. Suas músicas falam de amor, amizade, família e acima de tudo, respeito.

Respeito? Sim. Projota tem o histórico de enaltecer o valor da mulher em suas músicas e, talvez seja por isso que 60% de seu público seja o feminino. Canções como ‘Mulher’ que deixam claro, em um dos versos “mulheres são o que são, e não o que nós queremos que elas sejam, por isso mulheres são a razão e a fração do mundo que os homens mais desejam”. Ou então na música “Ela Só Quer Paz”, que Projota diz não ser uma música romântica e sim uma canção com alto teor feminista. “Essa música quer mostrar que as mulheres são importantes e que devemos dar o devido valor para elas na sociedade”, contou.

Projota lança novo CD e DVD ‘3Fs’ gravado em janeiro no Espaço das Américas. (Foto: Lucas Nascimento). 

Olha o contraste: Biel precisa o tempo todo se autoafirmar dizendo o “tanto de mulheres que já pegou”, e nas duas horas em que fiquei batendo papo com Projota, o rapper dizia que seu dever era “cuidar de suas meninas”. Ele fala ainda que já parou diversos shows, por ver homens se aproveitando de mulheres na platéia. “Nós estávamos no lugar certo, não eles. Eu sempre vou parar o show quando mexerem com ‘as minhas meninas'”, fala.

O Brasil precisa de mais Projota, de mais espaço para suas mensagens e poesias, de mais respeito, de mais amor. E precisa muito menos de Biel, de autoafirmação, de menos ‘pegação’, de menos ‘Química’ e precisa de mais “Foco, Força e Fé”.

Veja mais no meu snapchat: lucasnascimentp

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