Eu me iludo, sim: É que às vezes cansa

Saio de mais um encontro que acabou em nada. Desacreditado. É a palavra certa pro momento – ou pros momentos anteriores à cena. Não foi nada demais, tudo bem, mas esse “nada demais” foi se juntando aos outros “nada demais” que já tinham passado por aqui e pronto. 


A ponta do iceberg subiu tanto que bateu no meu Titanic de mágoas. Somos novamente eu e minhas mágoas pesadas numa noite de domingo em casa pensando por que cargas d’água que não deu certo.

Não adianta forçar essas situações, mas eu me frustro pra cacete. Vou lá, tô disposto, bati papo pra caramba antes, botei uma roupa maneira e arrumei o cabelo. Cheguei pontualmente, e olha que eu sou puro atraso. Papo vai, papo vem. Quatro horas depois: rola ficar na amizade? Rola, né. Vou fazer o quê? Te obrigar a me aceitar num jogo que você não quer jogar? Nah, desgaste pra nada. Acho que até prefiro a realidade nua e crua tacada na minha cara em forma de cordialidade. Ficar na amizade… sério? Você não foi com a minha cara, eu fui com a tua. Bola pra frente.

É que às vezes cansa. Cansa demais repetir o mesmo papo, ir com calma, contar a história toda e decorar aquelas cinquenta perguntas sobre o outro. Cansa se interessar, e ir se interessando, e passar noites grudado no celular em papos virtuais, e passar noites tomando cafés em papos pessoais pra dar em nada. Essa busca demanda esforço demais, vai cansando a gente. A outra pessoa não entende, mas quem decora texto é a gente. Quem repete tudo de novo é a gente. Quem tá cansado de gastar voz com o mesmo papo biográfico é a gente.

Vou me sentindo desinteressante, roteiro desatualizado, penso até em trocar o papo. Você ri e pra mim a coisa tá indo super bem, mas nada. Nunca vão te dizer cara a cara ou te interromper pra evitar a perda de tempo, você só vai saber que não foi escolhido um tempo depois, umas horas depois, quando você já tiver parcialmente escolhido a tal pessoa. Até aqui, não contei nada novo nesse texto, talvez porque não haja nada novo. Já sei que é assim, sempre foi assim, nós só chegamos na etapa final se passarmos por outras antes. Mas sabe, faz tanto tempo que eu não enfrento o chefão e sou derrotado no comecinho do jogo, poxa. Tô dando tanto game over que me pergunto o que tá acontecendo. Sabe o que tá acontecendo? Nada. Nada demais. O mesmo de sempre. Eu não deveria me incomodar, mas me incomodo com a esperança partida. Às vezes, quase sempre, cansa. Só isso.

Por. Daniel Bovolento

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