Gays e Fé: intolerância, amor e salvação


Nossa cultura costuma denegrir a imagem de homossexuais e a afirmar que sua sexualidade os levará para o inferno, que provocará a ira de Deus, ou a danação eterna. Mas até onde essa afirmação é correta? Aonde ela tem erros de interpretação da bíblia? Gays vão mesmo para o inferno ou não? 

O que a bíblia diz sobre isso? Afinal, Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Silas Malafaia e seus simpatizantes estão corretos em espalhar o ódio contra um grupo de pessoas que busca apenas ser feliz? O que é fé, o que é religião, o que é homossexualidade e homossexualismo? Buscaremos respostas à perguntas tão frequentes e que, muitas vezes, são respondidas erroneamente, infelizmente.

O que é fé? 
A definição de fé, segundo a bíblia é: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” Hebreus 11:1. Fé, nada mais é que acreditar em determinado tipo de coisa com tanta certeza, que para você, aquilo se torna real. É impossível ter fé e duvidar ao mesmo tempo. A palavra fé, vêm do Latim fides, fidelidade e do Grego πίστη pistia.

O que é religião?
Religião é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelecem símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seus próprios valores morais. Muitas religiões têm narrativas, símbolos, tradições e histórias sagradas que se destinam a dar sentido à vida ou explicar a sua origem e do universo. As religiões tendem a derivar a moralidade, a ética, as leis religiosas ou um estilo de vida preferido de suas ideias sobre o cosmos e a natureza humana.

O que é homossexualismo?
É a ideologia que defende ou difunde, mundo afora, a prática homossexual como prática anormal e prega contra direitos para os homossexuais. O sufixo ISMO indica ideologia. Há adeptos do homossexualismo que não são homossexuais. Não se confunde portanto homossexualismo com homossexualidade. Os movimentos ligados a essa ideologia organizam marchas, debates, e influenciam na formação de leis para lograrem direitos iguais aos dos heterossexuais e direitos específicos. Embora o termo ‘homossexualismo’, definido pelo Dicionário da Porto Editora como “prática de atos sexuais” conste de obras antigas do português europeu, e não é utilizado atualmente nesta variante do idioma. Já no português brasileiro o termo costuma ser utilizado com alguma frequência, embora existam autores e grupos que manifestaram sua oposição à utilização do termo devido à uma associação com doença mental.

O que é homossexualidade?

Homossexualidade, refere-se à característica ou qualidade de um ser (humano ou não) que sente atração física, estética e/ou emocional por outro ser do mesmo sexo ou gênero. Enquanto orientação sexual, a homossexualidade se refere a “um padrão duradouro de experiências sexuais, afetivas e românticas” principalmente ou exclusivamente entre pessoas do mesmo sexo; “também se refere a um indivíduo com senso de identidade pessoal e social com base nessas atrações, manifestando comportamentos e aderindo a uma comunidade de pessoas que compartilham da mesma orientação sexual.”


A homossexualidade é uma das quatro principais categorias de orientação sexual, juntamente com a bissexualidade, a heterossexualidade e a assexualidade, além de também ser registrada em cerca de cinco mil espécies (sendo bem estudada e devidamente comprovada em cerca de 500 delas), incluindo minorias significativas em seres tão diversos quanto mamíferos, aves e platelmintos.

Religiosos usam a bíblia para condenar homossexuais; Isso é correto?

Após saber o que é cada uma das definições, vamos encaixá-las nos contextos atuais. 


Recentemente, em uma discussão no facebook, uma garota postou: “Pessoal, eu estava conversando com um pastor, e ele me disse que ser gay é pecado e que isso é condenável. Eu não consigo acreditar que vários amigos meus gays, pessoas boas, que me ajudam sempre, vão ser condenadas apenas por serem gays. Ele disse que existe um grupo de “ex gays”, pessoas que foram “curadas” disso. Então, alguém pode deixar de ser gay, né?” – Esse comentário gerou centenas de outros comentários contra a mentalidade dela, já que ela deixou-se levar pela opinião do seu pastor. Acabei opinando na publicação, o que a fez me procurar em seguida dizendo que fiz ela pensar e refletir sobre sua própria fé. Afinal, o pastor está certo, errado ou apenas repetiu um discurso engessado, carregado de anos a fio de interpretações incorretas das sagradas escrituras?

Grupos de crentes estão acostumados a condenar gays ao inferno, tomando como base versículos bíblicos que carecem de interpretação correta para não haver exageros. A primeira delas está no livro de Gênesis, no capítulo 19. O trecho bíblico narra a visita de anjos a casa de Ló, cunhado de Abraão, para avisá-lo da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra. Os habitantes das cidades souberam da visita de estrangeiros em sua casa e foram até lá para tomar os forasteiros e estuprá-los; para alguns que não interpretam a passagem dentro do viés histórico, acreditam que os Sodomitas eram gays depravados que queriam apenas relação sexual com os anjos, mas não é bem assim.

Ao estudar história das civilizações, entendemos que os antigos eram extremamente xenofóbicos. Isto é, eles odiavam, por medo, pessoas de outras cidades, devido às guerras por posses que aconteciam frequentemente na região. A título de exemplo, é o que aconteceu mais tarde com Josué ao encontrar a terra de Canaã. Ele enviou espiões para ver as qualidades, defeitos e o que poderiam encontrar sobre a terra. Os moradores de Sodoma e Gomorra, achavam que os anjos eram espiões ou invasores para tomar a cidade, então, como represália eles estupravam os estrangeiros a fim de fazê-los desistir de falar, voltar ou tomar a cidade. Ló ainda ofereceu suas filhas virgens para os homens a fim de proteger os enviados do Senhor. Afinal, não é possível que todos os homens das duas cidades sejam gays depravados, loucos por sexo com dois desconhecidos.

Arte representa a fuga de Ló de Sodoma e Gomorra

Esta situação de repulsa aos estrangeiros é logo encontrada alguns livros a frente do Antigo Testamento e pouco se fala sobre este texto da Bíblia. “Estando eles alegrando o seu coração, eis que os homens daquela cidade (homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao ancião, senhor da casa, dizendo: Tira para fora o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos. E o homem, dono da casa, saiu a eles e disse-lhes: Não, irmãos meus, ora não façais semelhante mal; já que este homem entrou em minha casa, não façais tal loucura. Eis que a minha filha virgem e a concubina dele vô-las tirarei fora; humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façais essa loucura.” (Juízes 19:22-24). Esse aqui é um exemplo de xenofobia e não homossexualidade. 

Há quem acredite que o motivo da destruição de Sodoma e Gomorra é a existência de homossexuais, mas não. O profeta Ezequiel revela o verdadeiro pecado de Sodoma: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado.” (Ezequiel 16:49). Sodoma cometeu abominação por sua constante hostilidade, segregação e agressão ao ser humano.

Trazendo esta questão para os nossos dias, podemos afirmar que o papel “sodomita” atualmente é desempenhado pelas próprias igrejas homofóbicas, pelo alto grau de rejeição a seres humanos, vidas, enfim, a toda uma comunidade de pessoas que Deus aceitou em amor.

Agora vamos analisar o segundo e maior argumento dos religiosos para condenar gays ao inferno. É a passagem de Levítico: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”. Levítico 18:22.

Todo preconceito que religiosos cometem contra homossexuais, têm como base, principalmente, esta passagem. No Antigo Testamento, a aliança de Deus com o povo de Israel, dependia do cumprimento da lei mosaica, que compõem os cinco primeiros livros da Bíblia chamado Pentateuco – que posteriormente foi compilado pelo filósofo judeu Maimônides em seiscentos e treze mandamentos.

Hoje, após a morte e ressurreição de Jesus, vivemos na Nova Aliança ou tempo da graça e não estamos sujeitos a estas proibições da lei de Moisés; tanto é que, por exemplo, não guardamos os sábados, comemos carne de porco, camarões (Deuteronômio 14:3-21), alimentos com sangue (Deuteronômio 12). Cristo deixou apenas outros dois mandamentos que devem ser seguidos.

1- Amai a Deus sobre todas as coisas;
2- Amai ao próximo como a ti mesmo;

A lei mosaica era por demais austera e disseminava, por isso mesmo muito preconceito, impedindo o livre acesso de todos a uma vida plena com Deus. Veja aqui mais alguns exemplos: “Fala a Arão, dizendo: Ninguém da tua descendência, nas suas gerações, em que houver algum defeito, se chegará a oferecer o pão do seu Deus. Pois nenhum homem em quem houver alguma deformidade se chegará; como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos. Ou homem que tiver quebrado o pé, ou a mão quebrada, ou corcunda, ou anão, ou que tiver defeito no olho, ou sarna, ou impigem, ou que tiver testículo mutilado.” (Levítico 21:17-20).

Pobre daquele que tivesse o mínimo defeito. Imagine você: quem usa óculos, tem o nariz chato, teve uma doença de pele, quebrou a mão ou o pé; um portador de necessidades especiais (cego, coxo, corcunda…), anão, eunuco (que entrasse na categoria mutilação), jamais teriam livre acesso a Deus. Exatamente por esta razão, o Apóstolo Paulo será categórico ao afirmar que a lei em nada aperfeiçoou a vida humana: “Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus.” (Hebreus 7:19).

O mesmo livro de Levítico condena práticas como o corte de cabelo para mulheres; homens são impedidos de fazer a barba; não se pode comer carne de porco; e muito menos utilizar roupas com tecidos diferentes. Ou seja, automaticamente todos nós estaríamos condenados ao inferno se formos seguir a risca os ordenamentos do livro de Levítico. Por isso, dentro da nova lei, na qual o véu do Templo se rasgou e que todos podem entrar no Santo dos Santos para adorar ao Senhor, o argumento de que apenas homossexuais vão ao inferno por ser homossexual é hipocrisia.

Primeiramente, esta era uma lei que tinha como principal objetivo impedir que o povo de Deus se envolvesse em práticas de rituais dos povos circunvizinhos. Lembre-se de que, nesta época, o povo de Israel estava no meio do deserto e se desviava constantemente dos propósitos de Deus, por se misturar com os costumes de outros povos, dentre eles práticas de idolatria, prostituição cultual e sacrifícios sexuais a outros deuses que sempre envolviam a questão do sexo “contra a natureza.”

Situe-se no contexto: “Não procedereis como se faz na terra do Egito, onde habitastes; não procedereis como se faz na terra de Canaã, para onde os conduzo”. (Levítico 18:3).

A partir de uma análise histórica daquela região na Antiguidade, compreendemos que a prática homossexual no Egito e em Canaã estava articulada diretamente à cultos ligados a questão do êxtase e da fertilidade, criando todo um conjunto de exercícios de prostituição ritual abominável aos olhos de Deus.

Desta forma, podemos ler este texto de Levítico 18:22 como: “Com um homem não te deitarás, como se fosse mulher. É prática de idolatria.”

Em Deuteronômio 23:17 (também outras passagens, principalmente no livro dos Reis) observamos a confirmação sobre a existência da prostituição cultual e o que o texto do Levítico estava condenando. Veja “Não haverá prostituta sagrada entre as israelitas, nem prostituto sagrado entre os israelitas” – versão da Bíblia de Jerusalém).

Algumas traduções bíblicas mais tendenciosas do Antigo Testamento trocam a terminologia: “prostituto sagrado” pela palavra “sodomita” já criando uma falsa ideia de que o texto estava se referindo aos homossexuais; aqui encontramos uma clara e mal intencionada manipulação das Sagradas Escrituras para construir uma doutrina homofóbica onde o pecado de Sodoma corresponderia proposital e diretamente à homossexualidade, o que de fato, não é verdade.

O canal no YouTube, Põe na Roda, decidiu abordar e ilustrar este tema em dos vídeos mais famosos dos rapazes. Ele mostra uma família que tenta deixar de apoiar a homossexualidade do filho por quererem seguir, a partir de então, a “Palavra do Senhor”. Com texto da própria bíblia, os pais tentam dizer ao filho que ser gay é errado. Com inteligencia, o filho rebate mostrando aos pais, com vários exemplos, que pequenas atitudes, de qualquer pessoa, podem ser “condenáveis” aos olhos do Senhor.

Confira:



Já que gays não vão ao inferno por serem gays, em qual circunstância há condenação?

Primeiramente temos que entender que a bíblia não é um livro de condenações e sim um livro de esperança. As Sagradas Escrituras está sendo mal vista por incrédulos, devido a essa visão de que tudo que está escrito nela é apenas para condenar pessoas que não fazem o que o “tirano Deus” quer.


Essa visão limitada também é incorreta, já que a definição de Deus é o amor. A bíblia é um ponto de esperança de que, mesmo quando tudo está ruim, tudo um dia se fará novo. “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas antigas já passaram, eis que tudo se fez novo!”. 2 Coríntios 5:17.

O que comprova o ledo engano é o fato de a bíblia ter mais 30 mil promessas feitas por Deus àqueles que creem em sua existência e Palavra. Ou seja, as Escrituras trazem esperança ao que sofre, paz ao aflito, socorro ao desesperado. Porém, há leis, cerca de 660 ao todo, que mostram quem poderá habitar na Nova Jerusalém, a Cidade Santa, construída por Deus para aqueles que se fazem escolhidos.

Mas um fato concreto, é que a bíblia condena pecados (erros) cometidos tanto por gays quanto por héteros. O livro de Gálatas, narra uma série de pecados e acertos chamados de “Obras da Carne e Frutos do Espírito”, que impõem as condições para a salvação eterna da alma.

Frutos do Espírito:
Amor, Alegria, Paz, Longanimidade, Benignidade, Bondade, Fé, Mansidão, Auto-Controle.

Obras da Carne:
Prostituição, Impureza, Lascívia, Idolatria, Feitiçaria, Inimizades, Porfias, Emulações, Iras, Pelejas, Dissensões, Heresias, Inveja, Homicídios, Bebedices, Glutonarias.

Para os frutos do Espírito não há condenação, já para as obras da carne, que servem para qualquer pessoa, está reservada a danação eterna da alma humana imortal. Mas ser gay é um ato de impureza? Não. Mas muitos gays vivem em práticas impuras, impróprias e indignas, que podem ser contornadas e transformadas em uma vida de santidade, assim como heterossexuais.

Devido ao grande preconceito sofrido pelos gays a partir do surgimento da igreja e do grande preconceito, vamos analisar os últimos cem anos, para pincelar de leve o cenário real.

A homossexualidade era apontada como doença, como uma enfermidade social. Por isso, os indivíduos homossexuais viviam escondidos, uniam-se nos cantos mais afastados das grandes cidades, em esconderijos à margem da sociedade. Era a única forma de conseguir viver de fato, e não de aparências. Isso é conhecido como “Cultura do Gueto”, apresentada no artigo que explica o porquê de muitos gays não manterem relações afetivas estáveis.

Beijar em público, andar de mãos dadas, assumir namoro, pensar num futuro juntos? Jamais, nem em sonho. Foi nesta ocasião que surgiram dois estigmas do mundo gay e algumas das práticas pecaminosas condenáveis aos olhos da bíblia.

A) Todos gays têm dinheiro: para conseguir sobreviver, os indivíduos homossexuais precisavam se sobressair de alguma forma, para não ser excluído. Foi então que eles batalharam por uma vida melhor, trabalharam e conquistaram seu espaço financeiro (obviamente, sem assumir sua condição sexual).

B) Todos gays são promíscuos: se eles não podiam ter um parceiro fixo, porque isso poderia maldizê-los na sociedade, a solução era manter múltiplos parceiros, sem apego afetivo. Se durante a semana eles tinham que dar duro para conseguir manter a pose heterossexual, sobressair-se aos demais, aos finais de semana eles poderiam se refugiar nos guetos para se desvincular do papel social que tinham que adotar. E o estresse era canalizado, obviamente, no sexo. Todos entraram em um comum acordo de que o sexo era a fonte de prazer mais fácil e rápida, e que levaria ao relaxamento instantâneo.

A promiscuidade é um pecado: os homossexuais criaram cinemas voltados ao sexo, saunas para sexo, sites para sexo, parques, banheiros de shoppings, estacionamentos, enfim, tudo virou um grande centro obscuro de orgia. Tudo, obviamente, mascarado. Participar dessas práticas é o que condena realmente gays ao inferno, mas héteros também não escapam disso, porque muitos o praticam.

Gays ainda estão presos a “Cultura do Gueto”

O que muitos gays ainda não entendem, é que essa auto-exclusão atualmente não é mais necessária. Atualmente homossexuais não vivem mais sob a repressão dos anos passados. O preconceito é alimentado, algumas das vezes, pelos próprios homossexuais dentro de suas cabeças, enquanto a sociedade, em doses homeopáticas, tenta se desvincular desta cultura homofóbica (vide novelas, seriados, cenário musical etc).

Mas muitos gostam de viver assim. Este é o problema central da situação. Para muitos é difícil se manter com alguém, em um mundo tão cheio de opções. Dentro do círculo gay há uma idolatria exagerada pelo corpo perfeito e uma busca incessante por uma pessoa perfeita, coisa que não existe. O ser humano erra, ele é falho e imperfeito.

A dita “família tradicional brasileira” se sente acuada pelos gays exatamente por isso. Evangélicos e tradicionalistas defendem suas crenças de que gays vão para o inferno por pensar que o mundo vai se tornar uma grande boate a céu aberto, porque os gays, sempre que podem, mostram um comportamento considerado “anormal” pela grande maioria. 

Novamente a história de que todos gays são promíscuos se repete, mas é uma generalização incorreta e injusta. Da mesma maneira que existem heterossexuais de caráter corrompido, que traem, mentem e participam de orgias, existem gays que fazem o mesmo, só que muitas vezes de forma mais escancarada.

Héteros também são promíscuos, mas sabem apenas apontar os gays

Concluindo, esta cultura inconsciente mantém os homossexuais presos a ideologia dos guetos, a uma militância que pouco existe. Eles se mantém nesta inércia, em que relacionamentos afetivos e laços vindouros estão completamente jogados ao escanteio. E que o sexo, e as aparências, importam mais do que construções familiares – isso sim pode enviá-los ao inferno.

Por causa disso, algumas denominações evangélicas criaram a teoria da “Cura Gay” afirmando que reuniões de libertação “salvaram” gays da homossexualidade e até existem, segundo eles, “ex gays” que saíram “dessa vida” e formaram famílias heterossexuais. 

Homossexuais discordam dessas afirmações porque, segundo eles, “ninguém escolhe ser gay, e sim, nasce gay”, dizem que não é uma opção sexual, pois não escolheram isso e falam mais: podem não ter relações com outros homens, mas o desejo continua lá dentro, reprimido.

A questão é a seguinte: é um consenso internacional que a homossexualidade não é uma doença. Desde 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) tirou essa orientação sexual da lista de doenças. Então está errado oferecer ou falar em “tratamento” para algo que não é doença.

Gays em Santidade ao Senhor

A família tradicional brasileira, se é que ela existe, não acredita que isso é possível, mas gays podem ser santificados. A definição da palavra “santo” é separado. Sim, é possível. Há gays que optaram por um estilo de vida um pouco diferente. A maioria ainda não saiu do famoso “armário”, mas eles estão lá, dentro das igrejas buscando ao Senhor. Lutando contra todo o preconceito dos religiosos, eles não se importam com a opinião alheia e sim em fazer a vontade de Deus em suas vidas.

Exitem até igrejas segmentadas para o público LGBT. Eles têm como temática de ensino espiritual que o amor de Deus é para todos, independentemente da sexualidade do individuo. Até porque ser gay não é pecado, pois não é uma escolha pessoal do individuo.

Pecado é um conjunto de atitudes e falhas que distanciam o ser humano do Criador, todas elas ocasionadas por escolhas e decisões mal feitas. O pecado entrou no mundo por causa da escolha de Eva em comer o fruto proibido, o primeiro homicídio do mundo foi por causa da inveja de Caim, que culminou na escolha de assassinar o irmão Abel. Ou seja, os gays, em seus 90%, não escolheram ser gays, eles simplesmente são, então não é pecado. Simples.

Afinal, qual é o real objetivo do grupo LGBT?

Transsexual protesta contra a homofobia na Parada Gay em São Paulo

Muitos fundamentalistas cristãos acreditam que gays querem menosprezá-los religiosamente. Exemplo é o que aconteceu na última Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, em 7 de junho de 2015, em que uma transsexual encenou a crucificação para exemplificar o que acontece diariamente com a classe no Brasil. Gays são mortos, desrespeitados, humilhados, e diminuídos simplesmente por serem gays, essa crucificação ocorre dia após dia, semana após semana, sem que haja uma mudança dos grupos reacionários contra os LGBTs.

Comentários de cunho homofóbico tomaram as redes sociais afirmando que os gays querem impor uma “ditadura gayzista” contra a igreja, dizendo que gays profanaram símbolos religiosos, quando na verdade, a cruz nunca foi um símbolo ou ícone, ou não deveria ser, senão seria enquadrada no pecado de idolatria. A crucificação não aconteceu apenas com Jesus, mas com todos que contrariavam o governo Romano em Israel, na época. Jesus foi morto pela maioria, da mesma forma que gays são perseguidos e “crucificados” pela maioria nos dias atuais.

Gays querem apenas respeito. Todos entendem que ninguém é obrigado a aceitar, conviver, compactuar com um homossexual, mas todos entendem que devem ser respeitados, pelo menos como seres humanos.

Da mesma forma que casais “hétero” podem andar de mãos dadas, podem demostrar afeto (com pudor) nas ruas, podem adotar crianças, doar sangue, se casar e ter uma vida plena e comum. Os gays querem os mesmos direitos, já que têm os mesmos deveres de trabalhar, respeitar as leis e pagar impostos.

Gays querem direitos semelhantes garantidos e respeito, mais nada.

— faixas nas ruas (@faixasnasruas) 7 junho 2015

Existem ainda muitos outros argumentos que podem ser utilizados à base da bíblia para ajudarem a homossexuais e religiosos entenderem que o amor cura e resolve tudo. Os dois mandamentos deixados por Jesus, se seguidos à risca, mudaria a vida e acabaria com a guerra santa entre gays e evangélicos. Deus não tem culpa dessa guerra. Mas o que muitos não percebem é que quando oprimem um grupo de pessoas, esta tende a se rebelar, cedo ou tarde. Aconteceu no passado, e vai continuar acontecendo no presente até as atitudes mudarem. 

Quando você ama a Deus sobre todas as coisas, você age e pensa como ele. O Senhor é paciente, cuidadoso, carinhoso, é paz, é justiça. Quando você ama a Deus, automaticamente você ama ao próximo como a ti mesmo. Os dois mandamentos unem-se em um só, é fácil. Mas, o ser humano dificulta e sempre quer se sobressair, ele faz ao contrário. Ele humilha gays, mata, rouba, é infiel à esposa, mentem. Mas boicotam a novela, entram em crise com a reação a um protesto. Gays não vão para o inferno por serem gays, vão por simplesmente não enxergarem e viverem de acordo com o caráter de Deus. Mas do jeito que as coisas caminham, muitos religiosos também vão por também não terem o caráter de Deus, mas também por não praticarem o amor ao próximo.

“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão”. 

1 João 4:20-21

Por. Lucas Nascimento
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