Amor, dor e morte


“Todo mundo é parecido quando sente dor”

Eu me pergunto quantos baseados a compositora precisou fumar para ter essa brilhante, mas desnecessariamente óbvia, ideia. O verso que é aplaudido, reproduzido, cantado e curtido há décadas é o que a humanidade vive desde o seu princípio. Há situações na vida que igualam os seres humanos. É como uma espécie de comunismo, que dá a mesma medida ou o mesmo sentimento para todos e faz com que o milionário e o mendigo se tornem exatamente iguais.

Há muitos exemplos. Um dos mais nobres e belos é o amor. Quando se ama ou se está com quem se ama, o tempo pára. Pelo menos para os dois. E a despedida dói. Nela o tempo voa, o beijo demora, as mãos se apertam e os corações gritam “Não quero ir!”. Novos ou velhos, ricos ou pobres, bons e maus. Todos se sentem assim. O amor te deixa leve. E a falta dele pesa. Pesa na cabeça, pesa nos ombros, pesa na vida, pesa em todos.

Voltando ao aclamado verso, outra situação que iguala os seres viventes é a dor. Ninguém torce para ficar doente. Ninguém quer sentir dores ou saber que há algo chamado doença habitando em seu corpo. É a situação que iguala fazendo o ser humano reconhecer sua insignificância, limitação e falibilidade. Faz ele se sentir pequeno e impotente. Faz com que cada um conheça a força que tem. Certa vez eu conversei com uma moradora de rua que estava com câncer em mais de 3 órgãos. Mesmo fraca e sem recursos para se tratar, ela parecia nutrir uma esperança de algo. Não sei dizer se de se tratar, de ser curada ou de ter dignidade, mas ela mostrava ter uma esperança, por pequena que fosse. Também conheci uma outra mulher com uma doença considerada crônica. Ela se trataria e, com a ajuda de Deus, viveria bem. Mas já a vi confessar que, se pudesse escolher, morreria. Não queria enfrentar a situação, não queria ter nada dentro de si que não tivesse nascido com ela. São histórias que, ao mesmo tempo em que igualam, diferenciam. Uma com nada e com esperança. Outra com mais condições, mas miserável em certo aspecto.

A morte seria o outro exemplo. Simples e objetivo exemplo. Todos para debaixo da terra. Uns com mais honra que outros. Uns que deixam mais saudade que outros. Mas todos tiveram, tem ou terão esse fim. Trágico. A única certeza da vida. Mas ao mesmo tempo que ela iguala, separa. Todos morrem. Mas o pós-morte diferencia. Uns para a distância eterna de Deus. Outros para a simples perpetuação de seu relacionamento com Ele. De fato, todo mundo é parecido quando sente dor. Mas, ainda que essa situação comunista queira impor suas condições, temos total poder de decidir como ela vai nos atingir. Afinal, nem a morte tem poder. 

Por. Rafaella Rizzo

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