Apagão, falta d’água e tarifas altas: início caótico de 2015 causa revolta


O diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Reive Barros, disse nesta terça-feira (20) que o desligamento da carga determinado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), na última segunda-feira (19), evitou que o abastecimento de energia no País entrasse em risco. Segundo ele, a operação de cortar o repasse de energia foi preventiva, para equilibrar a produção e o consumo.


— Uma coisa é você desligar com controle. Outra coisa é você perder o controle e perder todas as usinas. Aí, o desastre é maior. Então, quando eu percebo que a carga está superior à capacidade de produção, eu corto carga para ficar equivalente à minha capacidade de produção. Do contrário, coloco o sistema em risco.

Calor recorde, falta de água e, agora, falta de luz. E as tarifas subindo. O apagão desta segunda-feira (19), parece ter posto fim à paciência de muitos brasileiros, que provocaram uma enxurrada de reclamações na web.

“O caos se instalando no Brasil. Primeiro se fala que não vai faltar água e agora energia. Planejamento nota 10”, ironizou, pelo Twitter, Elton Foratto. Já Joarez Ribeiro reclamou.

— O que será desse nosso país? Nada funciona, é tudo bagunçado.

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) alegou que o corte de energia aconteceu por causa de “restrições na transferência de energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste” e “elevação da demanda no horário de pico”.

Na prática, o órgão pediu para que as distribuidoras cortassem o fornecimento no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro , Espírito Santos, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Rondônia, além do Distrito Federal.

Por causa do apagão, a usina nucelar de Angra parou de funcionar. Em São Paulo, semáforos apagados provocaram caos no trânsito. O metrô sofreu pane. A Bovespa caiu 2%.

Em Belém do Pará, Marcelo Andrade se queixou da conta de luz.

— Ainda não #tôsemluz aqui em Belém, mas está ficando difícil para eu pagar a conta.

Conta mais cara

Desde o dia 1º de janeiro, as contas de luz ficaram R$ 3 mais caras para cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos – isso porque a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) determinou bandeira vermelha para todos os Estados. A medida é adotada sempre que a demanda está muito alta em relação à capacidade de geração de energia no País.

“Aumento de tarifa, baixa de qualidade de serviço… Isso é Brasil!”, lamentou Pedro Lazzaro, do Ceará. Já Eduardo Schmitz, de Santa Catarina, disse que o apagão atrapalhou sua refeição.

— A energia poderia ter esperado eu fazer um lanche, antes de acabar e virar essa escuridão total.

A falta de energia fez com que os equipamentos de ar-condicionado parassem de funcionar por todo o País, justamente em um dia de calor recorde. Em São Paulo, os termômetros chegaram a marcar 36,5°C, a temperatura mais alta do ano. “Quero pelo menos água!!”, disse, Desirée A. Sange, moradora do Estado.

Falta de água

Em crise hídrica, São Paulo sofre rodízio extraoficial de água em diversas regiões, devido à redução da pressão na distribuição realizada pela Sabesp por causa da seca. “Esse país está afundando. Ops! Afundando não: não tem água…”, disse Renata Roque, de São Paulo. O reservatório da Cantareira chegou a 5,8% de sua capacidade, já contanto o segundo volume morto.

Por causa da situação, o governo do Estado definiu uma multa de até 50% na conta de água para quem gastar 20% a mais que a sua média.

Rogerio Fabosse, de São Paulo, resumiu a situação.

— O povo sofre.

A culpa é do povo?

Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, é expert no assunto há anos e garante que a conta dessa deficiência energética não pode ser passada para a população. Para ele,  a tarifa que o brasileiro paga é mais que suficiente para garantir, “com toda segurança, o consumo instantâneo”.

A mudança de hábitos da população, que passou a ter mais acesso a aparelhos de refrigeração, provocou um aumento do gasto energético nos períodos de calor. Mas, para Sauer, colocar a culpa no consumidor e nas mudanças climáticas é muito conveniente para o governo.

— A temperatura alta já era esperada e o aumento da demanda não foi surpresa para ninguém. A desculpa do governo é sempre essa, mas falta energia porque ele não construiu usinas suficientes. Planejar-se para um período crítico exige certo grau de competência e não é o que estamos vendo.

Prejuízos

Além do desconforto de enfrentar uma tarde de calor sem refrigeração, os cortes de energia repentinos podem ter consequências graves quando atingem hospitais ou sistema de transporte. Em São Paulo,  por exemplo, duas estações da linha Amarela-4 do metrô foram fechadas em razão da falta de energia, provocando grande tumulto entre os usuários.

O economista da Associação Comercial de São Paulo Marcel Solimeo destaca a preocupação do comércio de que esses cortes se tornem recorrentes. 


— O que realmente preocupa é não saber se o corte de hoje foi eventual ou se ele sinaliza que vamos ter problemas de abastecimento. Se houver um racionamento, o governo precisa informar e dar alternativas para orientar as empresas e o consumidor. Assim, as empresas podem se organizar e rever seu horário de funcionamento. 

Agência Brasil e R7

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