Prefeitura de São Paulo busca em duas rodas a solução para o trânsito na cidade

Sistema de bicicletas públicas visa diminuir o número de veículos na cidade e promover a saúde da população



O trânsito é um dos maiores problemas da cidade de São Paulo. Em 24 de maio de 2014, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), registou às 19h a maior circulação de veículos na história da capital, que resultou em mais de 344km em toda região metropolitana. A tendência é de que nos próximos anos ocorra um aumento na frota de veículos em 130 mil, que atualmente é composta por mais de 5 milhões de automóveis, de acordo com os dados apurados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em fevereiro de 2014. Com o crescimento acelerado da indústria automobilística, a prefeitura de São Paulo tem buscado novas saídas e parcerias para oferecer um transporte mais rápido e saudável à população. 

Todo paulistano sofre, ou, já sofreu com o problema por morar na capital. Todos os dias os medidores de trânsito na cidade calculam em horários de pico (onde há grande movimentação de veículos) índices de mais de 100 km de congestionamento. Das partes mais longínquas da capital, pessoas acordam horas mais cedo de seus respectivos horários para conseguirem chegar a tempo; Este é o caso de Ana Cláudia Paes, que por ironia do destino ou não, é gerente de Transportes Nacional. “Em média, levo 1h30 para chegar no meu trabalho, isso porque moro a 10km de distância”, confessa. 

E a cidade não é a que mais sofre com trânsito no país. Um estudo revela que a capital paulista fica apenas em 5º lugar em um ranking divulgado pela empresa de tráfego TomTom. Os dados são coletados dos aparelhos GPS da empresa, espalhados pelas frotas, e de aplicativos de celulares que usam a tecnologia da empresa. Foi constatado, por exemplo, que 60% das vias em Recife ficam congestionadas em horários de pico, enquanto e São Paulo fica com apenas 46% delas em lentidão. Confira abaixo o ranking: 

1. Recife: 60%
2. Salvador: 59%
3. Rio de Janeiro : 55%
4. Fortaleza : 48%
5. São Paulo: 46%
6. Belo Horizonte: 42%
7. Porto Alegre: 38%
8. Curitiba: 34%
9. Brasília: 27%

Tem uma saída para melhorar o trânsito na capital paulista. O Banco Itaú em parceria com a Prefeitura de São Paulo criaram o projeto ‘Bike Sampa’, acessível a população pelo seu baixo custo e fácil acesso. O sistema de bicicletas visa oferecer à cidade uma opção de transporte sustentável e não poluente e, é composto de estações inteligentes, conectadas a uma central de operações via wireless, alimentadas por energia solar, distribuídas em pontos estratégicos da cidade, onde os clientes cadastrados podem retirar uma bicicleta, utilizá-la em seus trajetos e devolvê-la na mesma, ou em outra estação de sua escolha. 

Para não ter um projeto promissor e ao mesmo tempo ineficaz, o prefeito da capital, Fernando Haddad, criou o Programa de Mobilidade por Bicicleta, que começou a ser estruturado com a implantação de uma infraestrutura viária adequada ao tráfego de bicicletas. Já são 70,6 km de ciclovias em operação e, até 2015, serão 400 km de vias, cujos circuitos integrarão várias regiões da área metropolitana. Com isso, a Prefeitura está inserindo a bicicleta como uma opção segura de transporte na Capital. “A partir deste momento, estamos lançando a segunda etapa deste amplo projeto de reordenamento do espaço urbano, com o aprimoramento da fiscalização em ciclovias juntamente com ações de educação no trânsito”, diz Haddad. 

Grandes cidades no mundo como Amsterdã, têm a bicicleta como meio de transporte oficial, e segundo a Secretaria Municipal de Transportes, o desejo é antecipar a implantação total das ciclovias em um ano para incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte do paulistano. E, já tem quem utilize e aprove a iniciativa. Além de fugir do trânsito, andar de bicicleta é atividade física e aliada a uma boa alimentação, pode fazer muito bem à saúde. “Utilizo a bicicleta sempre que posso, pois com a correria do dia-a-dia fica difícil fazermos algum exercício físico, sem contar da facilidade em se locomover”, conta Marcelo Almeida, 27 anos, publicitário. “Em um passeio de cerca de 40 minutos, três vezes por semana, já é possível dar adeus a diversos problemas decorrentes do sedentarismo”, aponta o médico de esportes Ricardo Nahas.

Como funciona o Bike Sampa? 

Você acessa o site: clique aqui, e efetua o cadastro informando um número de cartão de crédito como espécie de caução. Após o cadastro ser concluído, você pode cadastrar seu Bilhete Único e utilizar as bikes pagando o mesmo valor de um aluguel comum que custa R$ 5.  Você pode também baixar o App exclusivo para iPhone, iPod e iPad e para dispositivos Android na loja Google Play, e desbloquear as bikes via interatividade no celular. “Com o novo projeto Bike Sampa, tudo ficou mais fácil, porque levo menos tempo para chegar ao trabalho”, complementa Ana Claudia Paes.

A prefeitura de São Paulo estima que até o fim deste ano, a capital contará com mais de mil bicicletas para empréstimo, e também com novas estações em toda a cidade. Se você acha que acaba por aqui, cidades como o Rio de Janeiro, Brasília, Santos, Salvador e Recife já recebem o projeto que pretende se espalhar por todas grandes capitais do Brasil. Acima de tudo o projeto tem como ideais: introduzir a bicicleta como modal de transporte público saudável e não poluente; reduzir os engarrafamentos; promover a humanização do ambiente urbano e a responsabilidade social das pessoas; incentivar a sustentabilidade, a mobilidade urbana e o combate ao sedentarismo, tudo em uma única iniciativa. E você, vai aderir? 

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