Velório comum


Ela foi só mais uma que morreu cedo.

Foi a estrela de mais um velório no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo.
Ela também foi mais uma que não apareceu nos noticiários. Uma morte comum, um velório comum, num lugar comum, uma pessoa comum também. Tudo comum. E deveria ser de outro jeito? Poderia?

Poucas pessoas presentes. Afinal, ela era comum. Não morreu em grande tragédia. Não tinha nada a ver com política, tráfico ou grande epidemia. Poucas flores. Algumas margaridas somente. O vestido que cobria o corpo frio e duro também era comum. Comprado em qualquer loja do bairro da Vila Formosa. Um que a jovem sempre usava e, de um jeito ou de outro, acabaria apodrecendo. Em vida ou morte.

A única que era capaz de sorrir era sua irmãzinha. A criancinha estava no colo da mãe e, ao vê-la no caixão, perguntou o que ela fazia dormindo ali. “Porque todos estão assistindo ela dormir? Porque ela não acorda com o barulho?”. A mãe não sabia o que responder. Apenas sorriu diante da inocência da pequena garotinha de 4 anos. Tão comum como a irmã que estava morta. Comumente morta.

Por. Rafaella Rizzo.
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