Você deixou saudade – Parte 3


Eu estava sentindo que faltava algo pra mim. Faltava alguém. Nenhum ser humano nasceu para ficar sozinho ou para ficar chupando o dedo enquanto os outros namoram, noivam e casam. Hora ou outra a cobrança da família vem e a minha advinha: já tinha começado a cobrar. 

“Você é nova, bonita e formada. Não vai casar nunca?” – diziam eles. Eu já estava até acostumada com tudo isso. Viver sozinha sempre foi meu forte, mas eu já havia percebido que eu estava mesmo precisando da tampa da minha panela. Até que o Guilherme apareceu. 

Aquele primeiro dia eu estava realmente com receio das verdadeiras intenções dele, mas após aquilo que ele disse, parece que ele conseguiu conquistar meu coração, ou ao menos abri-lo para o amor. Como ele disse “parece que foi amor à primeira vista”, e por ser muito cética, eu nunca havia acreditado que isso poderia acontecer comigo, mas aconteceu e eu me apaixonei por ele, e ele semelhantemente por mim. 

Nós trocamos telefone e marcamos para nos encontrar novamente durante os dias que ele estivesse aqui no Rio. 

***


Como prometido, no outro dia, ele foi me buscar em casa para fazermos um passeio por Copacabana, e foi ali, onde abrimos nossos corações um para o outro. Ele me contou mais sobre a empresa do pai dele que trabalha com Materiais Hospitalares no exterior, contou que o pai dele quer que ele case com uma garota que ele não ama por interesse financeiro. E que, mesmo já maior de idade, adulto, o pai não sai do pé dele como se fosse um garotão de quatorze anos em fase de crescimento. 

Eu também decidi abrir o jogo e contei alguns de meus dramas: já fui abusada sexualmente, já fugi de casa várias vezes, e que para esquecer meus problemas eu me refugiei com os animais, contei que eles eram minha vida, eles me faziam sentir o que eu realmente gostaria de sentir que é amor. Me formei em medicina veterinária pela UERJ e que hoje sou uma veterinária de renome no Rio. 

Ficamos ali por horas conversando coisas da vida, mas eu sabia que eu só teria mais dois dias com o Guilherme. Ele voltaria para Los Angeles e casaria com a mulher que ele não ama. Ele tinha a vida dele, eu não poderia me apegar à ele e muito menos impedir sua partida iminente. Eu não poderia ser egoísta a ponto de querer que ele parasse a vida dele por mim que ele acabou de conhecer. 

Meu coração já estava apertado por saber que o meu amor de quatro dias já estava prestes a ir embora. Ele com toda a certeza iria deixar saudade. 

Mas enfim, nem tudo termina como imaginamos que vá terminar! 

Não perca o último capítulo da crônica na próxima semana. 

Clique aqui e leia a primeira parte!
Clique aqui e leia a segunda parte!

*Essa série é baseada em fatos reais e a identidade dos personagens foi preservada pelo autor.

Por. Lucas Nascimento
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