O tal Donadon


Um dia histórico para a política brasileira. Na última quarta-feira (12), a Câmera dos Deputados cassou o mandato do então deputado Natan Donadon (sem partido – RO), preso há sete meses na Papuda, Brasília.

Esse tal de Donadon foi condenado a mais de 13 anos de prisão pela Corte maior deste País, Supremo Tribunal Federal (STF), só, ironicamente falando, por peculato e formação de quadrilha. Não é de se esperar que o fato do tal Donadon ser condenado pelo STF; sim, o STF do Joaquim Barbosa, o levaria a perda direta do mandato ?

Se você, caro amigo leitor #Compartilhe concorda que deveria ser assim, envergonhado tenho que lhe dizer: Seja bem-vindo, você está no Brasil.

Em agosto do ano passado foi aberto o primeiro processo de cassação, onde nossos queridos deputados, “sensíveis” a fúria das ruas, deram uma resposta desagradável ao povo brasileiro, que clamava fortemente pelo fim da corrupção.

Sobre o manto do voto secreto, o plenário da Câmera rejeitou cassar o mandato do tal Donadon, pois na votação secreta, 233 parlamentares foram a favor da cassação, “APENAS 133 contra” e 41 abstenções. Eram necessários pelo menos 257 para a perda do mandato.

Em função desta “resposta”, os deputados que certamente estavam surdos e cegos, no que diz respeito aos protestos, mantiveram o cargo do tal Donadon, porém encarcerado. Tornando o primeiro deputado a ir para cadeia no exercício do cargo. Fato inusitado. Uma piada.

Diante desta novela política, uma atitude louvável aparece em cena: o presidente da Câmera dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), suspendeu o salário e benefícios do deputado – presidiário. Menos mal. Seria muita falta de vergonha, não é senhor Donadon?

Entretanto, a manutenção do mandato do tal Donadon trouxe repercussão e com isso o Congresso aprovou em dezembro do ano passado uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que acabou com o voto secreto em processos de cassação. Projeto de emenda que tramitava na Casa desde 2001.

O segundo processo de cassação ocorreu nesta última quarta-feira (12), estreando o Voto Aberto, felizmente com sucesso. Só 13 anos de enrolação.

Com o voto aberta, 467 votaram a favor da cassação do mandato do tal Donadon, sendo uma apenas abstenção e nenhum voto contra. Como assim? Isso mesmo meu caro leitor. O ser humano, não só os políticos, mas também nós; é, você mesmo que está lendo, quando somos observados agimos diferente. Você deve concordar que fazer as coisas no anonimato, sem dá satisfações para alguém é melhor. Quando vemos uma plaquinha: “Sorria, você está sendo filmado”, automaticamente recebemos uma mensagem: Se policie, você tem uma imagem a zelar.

Da mesma forma nossos queridos políticos agem. Em cujo ano de eleições eles não querem queimar, ou, queimar ainda mais suas imagens.

O voto aberto é a resposta que o povo precisava, pois escolhemos nossos representantes e seria injusto não sabermos como eles votam e se posicionam diante de uma votação de cassação.

Quanto a você, Natan Donadon, aprendi um coisa. Um não, umas. Você não abaixou a cabeção e foi ousado. Condenado por formação de quadrilha, peculato, quebra de decoro parlamentar e desvio de cerca de R$ 8 milhões; criticado pela mídia que preocupa mais em

vender notícias; não tendo apoio do ex partido que te expulsou, mesmo assim, você teve a audácia de ir à Câmera para assistir sua própria cassação. Poderia apelar pelo direito de renunciar, talvez fosse a melhor escolha. Ou simplesmente poderia deixar de ir.

Humilhado por usar aquela roupa branca de presidiário. Quanta vergonha alheia eu tenho. Donadon, você é um herói cara. Sem falar da sua declaração dada à imprensa, ” a convicção da minha inocência me fez vir aqui”.

O filósofo Renato Janine diz que “o herói não é aquele cujas ações são eticamente admiráveis, mas alguém que, na tradição clássica, enfrenta os obstáculos com o maior vigor e disposição possíveis para vencê-los.”

Que nós, leitores do #Compartilhe, tenhamos essa atitude, não de nos corromper, mas defender aquilo que acreditamos, seja um ponto de vista, religião, opção sexual, enfim, enfrentar os julgamentos que a vida inevitavelmente nos impõe. Que enfrentemos de cabeça erguida, e claro, estar sujeito a mudança de pensamento, com humildade sempre e reconhecendo os erros.

Por. Lindomar Jr. 
Representante do Compartilhe em Goiás.
compartilheisso@outlook.com

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