Abraços de graça


Por. Rafaella Rizzo
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Pessoas como o australiano Juan Mann tentam quebrar, por intermédio do abraço, a barreira que impede a aproximação entre as pessoas. Em 2006, mais precisamente no dia 22 de maio, ele escreveu em um pedaço de cartolina a frase “free hugs” (abraços grátis) e foi às ruas para ver a reação das pessoas. Começava ali um movimento de distribuição de abraços que ganhou o mundo pouco tempo depois e a data agora é lembrada anualmente em vários países como Dia Internacional do Abraço.

Inspirado na atitude do australiano e incentivado por amigos que o convidaram para um primeiro “free hugs” em São Paulo, o ator brasileiro José Lima Jr., de 27 anos, resolveu começar a abraçar as pessoas na capital paulista. Em 2010, ele criou uma comunidade virtual, um endereço no Twitter e uma página no Facebook, o ponto central de organização do evento nos últimos 2 anos. A cada 2 meses, um grupo com vários participantes sai às ruas para levar carinho e atenção a desconhecidos. O último encontro de 2012 ocorreu na Avenida Paulista no dia 16 de dezembro, com a participação de 15 pessoas. Foi a primeira participação de Jordana Sampelli, de 29 anos. “Sempre tive vontade de vir, pois o abraço une as pessoas, elas se entregam. 

Estou gostando muito.” Clarissa de Castro, de 16 anos, já é veterana na ação: não perde um evento desde 2010, quando começou a abraçar desconhecidos na rua. “Na primeira vez foi meio estranho porque eu era bem tímida, mas com o tempo eu fui me soltando. 

Abraçamos todo tipo de gente: crianças, mendigos, adultos, não importa. É muito gratificante poder abraçar as pessoas, eu me sinto muito feliz porque acredito que essas simples atitudes podem mudar o mundo, além de me ajudar a vencer minhas próprias tristezas.”

Unidos, os adeptos do abraço grátis também já se mobilizaram por algumas causas sociais: arrecadaram alimentos e dinheiro para instituições de caridade, distribuíram doces para crianças na Páscoa e no Natal e doaram fraldas geriátricas e produtos de limpeza a um asilo. Outras ONGs também aderiram aos abraços grátis. Caso, por exemplo, da “Nossa ONG” que tem entre os integrantes a babá Líria Patrícia Ferreira da Cruz, de 23 anos. “O que mais gosto nessas ações são os abraços de crianças, pois é o mais sincero que tem. Receber esse carinho das pessoas que abraçamos também é muito bom, afinal quem não precisa de um abraço?”, pergunta. Lima conta já ter recebido vários depoimentos que reforçam a opinião de Líria.  “Os abraços não fazem bem só para quem os recebe. Já tivemos alguns casos de pessoas que venceram a depressão, o suicídio e até mesmo retomaram o ânimo para tomar decisões importantes na vida”, relata. “Acredito na força do amor. Este é o principal motivo pelo qual todos começam a participar do evento.”

Originalmente publicado no Jornal: Folha Universal.

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