Tabu: Pedofilia

Por. Lucas Nascimento
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Voltamos à 18 de Agosto de 1994, e a Mamanguape município brasileiro, sede da Região Metropolitana do Vale do Mamanguape, no estado da Paraíba. Sua população estimada pelo IBGE em 42.537 habitantes, distribuídos em 349 km² de área. Foi nesta cidade que nasceu Aryane (nome fictício para preservar a identidade original), rejeitada pelos pais que não gostariam de ter outros filhos. Agosto o famoso mês do desgosto, e este “desgosto” poderia definir o que seria sua vida dali para frente. 

Foi adotada por uma família que a trouxe para o Rio de Janeiro ainda criança, seu padrasto por não aceitar o fato de sua esposa ter a adotado, acabava a maltratando, uma relação de amor e ódio. Ao mesmo tempo em que ela precisava respeitá-lo por depender dele a relação ainda era conturbada por terem muitas brigas. Vivia em um lar totalmente instável: por diversas vezes ela agrediu a pessoa que a adotou, e este poderia ser considerado seu pai. Mas a explicação de tanto ódio sentido por ela contra ele é o de que: Ele abusava sexualmente dela.

Esses abusos começaram aos 13 anos, e a traumatizou como qualquer outra criança que passa por esta situação, como qualquer outro pedófilo ele a ameaçava, porém de uma forma totalmente diferente da técnica usada por outros pedófilos. Ele não a aliciou utilizando-se agressão física ou prometendo mundos e fundos, mas suas ameaças e a maior das agressões aconteceram psicologicamente. Além de ter sido rejeitada pelos pais biológicos, era abusada sexualmente e se contasse para alguém do que estava acontecendo era ameaçada a ter o desprezo de sua segunda família. 

– Ele dizia que se eu contasse para alguém dos abusos ninguém acreditaria em mim, e que eu seria devolvida para minha família, além de dizer que a culpa de tudo aquilo acontecer era minha. Relata.

As humilhações dentro de casa continuavam devidas as pressões psicológicas sofridas, porém ela sempre teve tudo o que quis. Foi privada de uma vida comum e sem medo, mas financeiramente tinha total liberdade outro fato que a impedia de contar a alguém do que estava acontecendo. 

– Eu comia da comida dele, dormia debaixo do teto que ele me deu, na época eu enxergava assim. Eu deveria ser grata a ele por isso. Se eu contasse poderia perder tudo aquilo. Comenta. 

Mas como nada na vida dura para sempre, após três anos de abusos ela decidiu contar tudo. Ela não aguentava mais aquela situação na época tinha 15 anos, e decidiu contar para uma amiga próxima a família. Esta amiga a ajudou e lhe aconselhou a contar tudo para sua mãe. Porém a história foi contada de uma forma equivocada. Ali ela viveu os piores momentos de sua vida além dos abusos. As suspeitas das ameaças se concretizaram a mãe não acreditou nela. Os familiares disseram que ela “Era uma criança rebelde que queria atenção, era coisa da cabeça dela, e que queria destruir o casamento dos pais.” A tia chegou a dizer que: “isso que dava pegar filho dos outros para criar, porque essas crianças bastardas sempre exigem muita atenção e acabam fazendo de tudo para conseguir”.

– Na minha cabeça foi muito difícil assimilar e ouvir tudo o que eu ouvi, sendo que eu era a vítima e estava sendo tratada como se fosse a culpada e a errada. Em nossa cabeça somos vítimas e culpadas ao mesmo tempo. Ressalta. 

 A única solução foi sair de casa.

A família de uma amiga a abrigou e por já conhecer o trabalho realizado pela Igreja Universal do Reino de Deus, ela recebeu total apoio. O padrasto foi denunciado, tiveram várias audiências no conselho tutelar e sem nenhuma explicação o caso foi arquivado. Segundo ela a igreja teve suma importância na reconstrução de seus valores morais. 

A Igreja Universal do Reino de Deus, realiza um trabalho de apoio às pessoas que foram abusadas chamado Projeto T-mar, a direção do projeto pede para as pessoas que sofreram qualquer tipo de abuso procurar ajuda em qualquer uma das igrejas centrais espalhadas por todo o Brasil e mundo. Informações acesse: www.projetot-amar.com/.

 Ela o perdoou, ainda vivem sob o mesmo teto. Mas dentro de casa foi colocada uma pedra sobre o assunto. 

 Acho que a sociedade, aqueles que estão no poder deveriam e devem falar sobre esse assunto, na época eu não sabia o que era pedofilia, sofrer abuso, era coisa que eu só via apenas em novela. E quando aconteceu comigo, não sabia o que fazer e como agir. Um dos motivos pelos quais demorei tanto tempo pra falar era a vergonha. Não temos um material explicativo sobre o assunto a nossa disposição. A sociedade ainda “esconde” muito a questão “pedofilia e abuso sexual” ainda é um tabu. Temos que trazer isso pro cotidiano,  para muitas meninas e meninos esses abusos fazem parte do seu cotidiano. Precisamos ter pessoas preparadas para nos ajudar, não apenas ONGS (Organizações não governamentais) e entidades que vivem no anonimato. 

Perguntei a ela se os abusos sexuais podem fazer uma pessoa se tornar homossexual, um outro tabu. A resposta foi sucinta!

A mente dos seres humanos, nosso psicológico se compara a um computador somos “formatados” durante nosso crescimento e dependendo das situações a que forem submetidos acredito que pode se desenvolver uma tendência maior ao homossexualismo, isso se a criança não tiver um acompanhamento devido.

Como você perdoou seu padrasto?

Em primeiro lugar perdoar a si mesmo e se livrar de toda culpa. Ter um acompanhamento psicológico também ajuda muito, falar sobre o que aconteceu, se livrar de todas lembranças e sem dúvidas ter Deus,  e conhecer o Sr. Jesus. Quando conhecemos a Ele enxergamos os que estão a nossa volta com amor.

É melhor falar do que guardar para si e ter de enfrentar as lembranças?

Com certeza quando falamos é como se estivéssemos nos livrando de um peso. Quando guardamos aquilo só pra nós, as lembranças acabam sendo nossas piores inimigas. E nestes casos quanto mais tempo passa, mais forte as lembranças ficam. A vítima é capaz de lembrar e sentir como se estivesse vivendo tudo aquilo novamente. É como sentir o gosto de algo que comemos a muito tempo atrás.

Finalmente eu perguntei. O que você tem a falar para quem ainda sofre ou sofreu com isso e ainda não conseguiu se reerguer? 

Para finalizar gostaria de dizer pra quem sofre, já sofreu com esse problema, que não tenha medo de falar, procure seus direitos, não se cale. Não seja refém dessa situação, temos sim órgãos prontos para nos ajudar, se informe e tenha certeza que esse mal pode ter um fim. Não pense que sua vida está acabada, coloque um ponto final nesta dor e recomece sua vida. Você pode. Se permita ser feliz, é possível.

Opinião: Prisão, pena de morte, prisão perpetua estas seriam capazes de conter um pedófilo? Sim. 
Mas na realidade, o que de fato conteria de vez um pedófilo se chama Vergonha na cara. Isso é o que falta. O que passa na cabeça de um cidadão que comete uma violação moral tão grande? Sinceramente eu não consigo entender. Não consigo expor uma opinião quanto ao caso sem me revoltar e é isso que todo ser humano deve sentir. Revolta. Lamentavelmente essa barbárie contra as crianças ficou rotineira no país. No entanto, temos consciência de que tal crime de perversão e perversidade não se atém às fronteiras brasileiras “é um mal da sociedade planetária. 

Tudo isso nos mostra que há uma crise de valores na qual a raça humana está mergulhada. Os valores estão invertidos ou simplesmente inexistem. Pais, educadores, líderes, autoridades, igrejas, escolas, governos, todos têm de se unir não apenas para combater ferozmente a pedofilia, mas para deflagrar uma acirrada campanha de conscientização e chamada à responsabilidade de pais e responsáveis por crianças no que diz respeito à sua proteção. É preciso investir preventivamente mobilizando a sociedade a desenvolver nas crianças, jovens e adultos valores que prezem os bons costumes e respeito à vida. 
Que os pais ensinem seus filhos a ter limites e a respeitar o próximo. Ensinem que na vida não basta querer, desejar e ter vontade. Mas, que é preciso seguir algumas convenções que são resultado de lutas e conquistas da humanidade. Ensinar que existem normas que regem a vida em sociedade e que, se tais normas não forem respeitadas, viveremos na animosidade e a convivência social simplesmente será impossível. 
Disque contra a pedofilia – 100.

Até a próxima semana.

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