A vida online é mais importante do que a vida real?

Por. Rafaella Rizzo
compartilheisso@outlook.com


Hoje é quase impossível pensar no mundo sem redes sociais. Imagine o fim do Facebook, Ask, Instagram ou qualquer outra ferramenta online de compartilhamento. Chega a dar um medo né? O ser humano, por natureza, tem necessidade de viver em sociedade. Compartilhar ideias, palavras, acontecimentos, sentimentos é uma necessidade fisiológica e a internet e demais tecnologias facilitaram o suprimento dessa necessidade. 

Mas, como tudo em que o ser humano põe a mão, para muitas pessoas e em muitos momentos ela se tornou algo ruim. Vou explicar. Tenho Ask e, vez ou outra, vem adolescentes (é importante frisar isso) pedindo para curtir uma foto, seguir no Facebook, seguir no Ask, trocar curtidas e perguntas, entre várias outras coisas. Mas ultimamente isso tem acontecido com tanta frequência que me incomodou. Gente, eu vou seguir conteúdo de qualidade na internet ou que pelo menos me interessa. Porque eu seguiria uma jovem de 16 anos que curte a página “Frases do Catra” e outras babaquices de funk? Ou porque eu curtiria a foto de um menino em que a mesma foto tem 300 e poucos curtidas e um monte de cocotinhas dizendo “Lindo <3”? 
Cadê a necessidade disso? 

Então, a Rafaella psicóloga tomou conta de mim e comecei a refletir sobre o assunto. Percebi a fossa de carência em que esses jovens estão enterrados. Sim exatamente isso. Ter uma foto com centenas de likes, ter milhares de seguidores no Facebook, ser uma “web celebrity”, nos dias de hoje, é algo de extremo valor. É quase como ter muito dinheiro. Não importa se na vida real você é um pouco gordinha. É só tirar uma foto fazendo biquinho e com um generoso decote e você se sente mais valorizada. E se essa foto recebe 100 curtidas e um monte de comentários dizendo como você é gostosa e está linda então… um super bônus! Seu ego ficou inflado por alguns minutos. Mas ai você desliga o computador, se olha no espelho e se sente feia de novo. Não por ser feia, não. Mas pelo seu valor depender de outras pessoas, que nem te conhecem como você é. E você garoto, que quer que seu Ask e Facebook sejam movimentados então procura encher a internet de conteúdo que não faz diferença alguma na vida das pessoas, mas que movimenta seu pequeno grupo de amigos online? O problema é que na vida real você é tão tímido que mal consegue falar com alguém. E qual é o problema de tudo isso? 

O ponto é que os jovens de hoje vivem uma vida dupla: na vida real são uma coisa e na internet outra. Numa tentativa de apagar as frustrações da vida real, criam seu perfeito mundo virtual, que de perfeito na verdade não tem nada. Só alguns momentos de alívio. E quando tem que encarar a realidade, gostaria que ela nem existisse.Têm necessidade de aparecer, ainda que para isso tenham que se rebaixar a míseros pedaços de carne sem cérebro. Ainda que para isso tenham que mendigar atenção, elogios, curtidas, mostrar partes do corpo, falar palavrão, ofender alguém ou algo. E levanto a questão: e quando suas curtidas acabarem? E quando não houver partes bonitas para mostrar? 

E quando for necessário ter conteúdo e você não tiver o que apresentar? O que você vai fazer? Algumas possíveis respostas: entrar em depressão, se tornar um chato mendigo de likes, admitir que realmente não passa de um rosto bonito (ou bem editado), se suicidar… mas não precisa ser assim. Você pode agora escolher viver a realidade. Garota, você não precisa que os outros digam que você é bonita para saber que é. Garoto você não precisa se fazer de gostoso e machão para ter respeito. Meus jovens queridos, vocês são novos, fortes, tem tempo para aprender algo útil e se dedicar ao que vai te trazer benefícios no futuro. Porque perder horas e horas do seu dia? Não que eu seja velha (tenho 23 anos), mas hoje eu olho para trás e vejo que perdi tempo com muitas coisas (e pessoas) enquanto poderia ter investido em mim, na minha família, nos meus estudos e em várias outras coisas. Talvez você nem seja maior de idade, então aproveite para mudar enquanto há tempo. Talvez você seja um leitor de 30, 40, 50 anos e se vê nessa situação. 

Não desanime, se você acordou agora para a realidade, mude suas atitudes e, consequentemente, seu futuro. Afinal de contas, a vida real é a que nos fará ser vencedores ou fracassados. Em qual você vai investir?

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